Insistência dos administradores em isolar a cidade, recusando parcerias, e a lentidão do atual prefeito, Velomar Rios, são apontadas como causas para redução de qualidade de vida da população.
Durante muitos anos, Catalão foi vista como um oásis de qualidade de vida encravada na região Sudeste do Estado. A população, no entanto, tem sentido na pele a queda acentuada da qualidade de serviços públicos, especialmente saúde, educação e assiste desolada a inércia da Prefeitura em relação à construção de moradias populares e à busca de novos investimentos.
No último domingo, o jornal O Popular comprovou o que o povo já sabia: Catalão despencou cinco posições e apresentou redução de 6,5% no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) entre os anos de 2008 e 2009. Na edição anterior do levantamento, o município liderava o ranking dos municípios goianos mais desenvolvidos. A explicação para o resultado desastrado está, claramente, nas péssimas administrações do PMDB, que comanda a cidade há 11 anos.
O IFDM foi criado pelo Sistema Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) para acompanhar a evolução dos 5.564 municípios brasileiros e os resultados da gestão das prefeituras. São avaliados os itens emprego e renda, educação e saúde. O levantamento foi publicado no último e mostra que os goianos avançaram (1,7%), enquanto o resto do País apresentou queda da qualidade de vida da população (0,6%).
A queda da qualidade de vida da população de Catalão, no entanto, foi muito mais acentuada do que no restante no País. Mesmo os municípios menos desenvolvidos não apresentaram resultados tão ruins. O que mais chama a atenção é que Catalão é uma das cidades mais ricas do Estado, com grande produção industrial e agropecuária, e ocupa os primeiros lugares no ranking da arrecadação municipal. Pelo visto, os impostos arrecadados pela Prefeitura não estão se transformando em benefício para a população.
A saúde pública em Catalão, como já foi mostrado em várias reportagens, vai mal das pernas. Faltam equipes de Saúde da Família (programa que funciona com verbas federais, mas que tem de ser implantado pela prefeitura), os postos de saúde não oferecem conforto à população, como não há centrais de marcação de consulta as filas por atendimento são enormes e falta, nos bairros, atendimento especializado como ginecologia, ortopedia e pediatria. Nas gestões de Adib Elias (PMDB – 2001-2008), por exemplos, Catalão só tinha duas equipes de Saúde da Família.
O Prefeito de Catalão, Velomar Rios – de licença por “motivos particulares – se recusa a implantar escola em tempo integral e não há vaga nas creches para atender todos os filhos das mães trabalhadoras. Para conseguir uma vaga na educação infantil, é preciso dormir em filas, sem garantia de vagas.
Prova de que a ação da administração municipal é fundamental para garantir o bem-estar da população, é o excelente resultado de Chapadão do Céu, município que tomou de Catalão a liderança do ranking de qualidade de vida no Estado e que é administrado pelo também peemedebista André Luiz Guimarães Vieira.
André Luiz explicou ao jornal O Popular que, mesmo com uma arrecadação infinitamente menor do que Catalão, investe em saúde e educação muito mais do que determina a Lei de Responsabilidade Fiscal. Em Educação, são investidos 30% da arrecadação, quando a Lei exige 25%, e em saúde, são 23%, 8 pontos porcentuais a mais do que os 15% obrigatórios.
Em Chapadão do Céu, o menor salário pago aos professores é de R$ 1,8 mil – em Catalão, foi realizado recentemente concurso público com oferta de salário de pouco mais que R$ 500. Na cidade que hoje ocupa a liderança do ranking dos municípios desenvolvidos, todos os professores têm curso superior e plano de carreira que premia os avanços na capacitação.
Outros municípios avançaram
Quase todos os cinco municípios que antecedem Catalão na lista dos mais desenvolvidos apresentaram forte melhoria na qualidade de vida da população no período. A capital, Goiânia, antes o terceiro da lista, subiu uma posição, crescendo 3,7%. Um dos casos mais surpreendentes foi o de Caçu, que do 23ª posição na avaliação anterior passou a figurar no ranking em 3º lugar, com crescimento de 11,3%. São Simão, anteriormente em 8º lugar, subiu 3 posições e cresceu 2%.
A exceção entre os cinco municípios mais bem colocados foi Jandaia, que decresceu 3,1% e foi do segundo para o quarto lugar. Nada, porém, que chegue perto da acentuada e inexplicável queda de Catalão no índice.
O atual prefeito, Velomar Rios - que encontra-se de licença por "motivos particulares" há mais de 15 dias, assumiu o comando do município em 2009. Até então desconhecido, ele foi eleito em 2008 com o apoio do antecessor, o atual presidente regional do PMDB, Adib Elias.
Quando era prefeito, Adib se notabilizou por recusar parcerias com os governos estadual e federal alegando que o município tinha recursos suficientes para não precisar de qualquer ajuda. A julgar pelo último resultado do Índice Firjan, Catalão perdeu e muito com o isolamento político e institucional.
Município vive “apagão” administrativo há anos
Catalão é administrada pelo PMDB há 11 anos. Foram dois mandatos de Adib Elias e três anos de Velomar Rios. Durante o período, o capital político e econômico do município, que antes era um dos mais fortes do Estado, foi dilapidato. Na sua passagem pela Prefeitura, Adib – que se orgulhava da fama de trator do Sudeste Goiano – ganhou destaque pelos discursos violentos e por fechar as portas para o governo do Estado.
A marca do sucessor é outra, mas igualmente negativa. Velomar destaca-se pela falta de capacidade de articulação que resultou na perda de investimentos de grande porte para o município. A Suzuki, por exemplo, queria se instalar em Catalão e aproveitar o grande número de empresas de suporte que já existem no local em função da Mitsubishi. Mas Velomar não se mexeu, e o prefeito de Itumbiara, José Gomes da Rocha (PP), aproveitou o vazio para convencer a montadora a se fixar na sua cidade.

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